Clicar ou não clicar, eis a questão
Afinal de contas, qual é o segredo por detrás da química que por vezes surge entre os homens e as mulheres? O que é que provoca o clique? Será a aparência de cada um, o sorriso, o olhar, ou talvez o odor corporal? E já agora, se soubermos o que provoca o clique, talvez consigamos também perceber o que provoca o desclique. Tenho a sensação que esta época do fast food em que vivemos está a generalizar-se a outros campos das nossas vidas, já não é só no alimentar!
Fast food, fast clique e fast desclique!
Cada vez as relações começam e acabam mais rapidamente. Bem, na realidade, muitas vezes acabam antes sequer de começarem... Está a tornar-se muito difícil gerir as emoções e as acções neste mundo de alta velocidade. Se formos reservado(a)s ninguém está disposto a esperar, quando "entregamos o ouro” perdemos o interesse. Como agir?
No meu tempo (!) as coisas eram mais fáceis, ou pelo menos mais bem definidas. Sabíamos o que queríamos e o que esperavam de nós. Agora já não.
Hoje em dia só o primeiro date é relativamente seguro, ao segundo já se espera pelo menos um beijo, é o mínimo! E mais não digo, aceitar um terceiro já pressupõe que se está disposto a “avançar” a relação, de outra forma, porque aceitaria mais um date?? Para quê perder tempo?!
Será que já ninguém acredita num amor construído a partir de uma amizade? E quando tentamos transformar a amizade em algo mais, geralmente perdemos um amigo e ficamos sem nada! Já sabemos isso mas caímos no mesmo erro, outra vez.
“Amo-te para sempre”, devia ser proibido dizer isto a alguém! É uma promessa condenada à partida! Quem pode garantir isso? Os nossos sentimentos e emoções andam a grande velocidade e fogem muitas vezes do nosso controlo.
A cada novo clique e subsequente desclique, estou mais um passo afastada de um qualquer rumo. E, parafraseando Seneca, quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável...
No outro dia falava com um amigo que me contava uma desilusão que tinha sofrido ao entrevistar pessoalmente um músico por quem tinha grande admiração. No contacto pessoal revelou-se frio e distante, muito diferente da pessoa que ele tinha idealizado. Lembro que fiz de imediato o paralelismo para a maioria das nossas relações amorosas. Construímos uma imagem e algumas ideias sobre as pessoas, que são geralmente goradas com o aprofundar do conhecimento... Uma vez que a realidade é frequentemente uma desilusão, parece pois que o melhor é manter as nossas relações no campo platónico. Não sei se esta é a melhor solução, mas é definitivamente a mais segura.
A cada nova desilusão volto para o casulo mais um tempo, até decidir espreitar novamente e arriscar outro voo e provavelmente, outra aterragem forçada...!
